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quarta-feira, junho 02, 2004

 
O prazer de pensar

SEMPRE que encontramos alguém com quem se pode ter uma troca de e-mails desse naipe, no meio de uma tarde de trabalho enfadonha, temos de valorizar.

Pensadora
Em primeiro lugar, foi vc quem disse que queria ter essa ética darwiniana da eficiência.

Bom, sobre o que eu acho, eu não sei ainda =p
O engraçado é que na aula que a Mayra deu sobre esse cara (Herbert Spencer), eu tive um momento extremamente Ciro com ela, e até agora não me resolvi... ela começou a aula de acordo com aquela divisão do pensamento ético que ela faz que tem uma linha Kant e uma Nietzsche classificando-o na linha de Kant, pq ele tem um princípio universal, e é com esse tipo de pensamento que eu costumo concordar, não-relativizável. Mas aí, no fim da aula, eu pensei que nem vc, e perguntei se, sendo o princípio dele a eficiência, ele não poderia ser agrupado com o Nietzsche. E o esquisito foi que ela sempre tinha colocado essas duas linhas em completa oposição (imperativo categórico X os fins justificam os meios, pra resumir), mas aí respondeu "é, pode ser também".... completamente Ciro. E desde então eu ainda não saí dessa.

Pensador
Heheheh... mas, no fundo, essa é uma meta-discussão. Porque a moralidade --seja ela qual for-- é falaciosa. A única lógica que funciona é a natural, a da evolução, a da seleção natural, porque é aplicável a todos os sistemas, inclusive os não-pensantes. Moléculas com ligação mais estável tendem a sobreviver mais tempo que moléculas instáveis. Átomos com maior reatividade participam de mais compostos, e assim por diante... O processo nietzscheano é o natural, e admito que as coisas funcionam melhor (de um ponto de vista externo) desse jeito. Daí meu comentário inicial no estilo "I wish I could adopt it".

Entretanto, isso simplesmente não é possível. E até mesmo Nietzsche e outros de sua linha, ao tentar justificar por alguma lógica racional sua argumentação, acabam estabelecendo uma espécie de moralidade (ainda que seja uma moralidade amoral, por assim dizer), que está sujeita às mesmas falácias das outras. E não os culpo; como disse, é da natureza humana adotar uma moralidade. É da natureza das coisas vivas tentar "combater" a natureza. Como seres inteligentes, apenas desenvolvemos métodos mais sofisticados de fazê-lo (como a moral, que tenta eliminar coisas como a seleção natural do rol de ferramentas que diz quem vive e quem morre), mas todos os seres vivos, em certa medida, combatem a natureza.

Eu explico: segundo a termodinânica (e isso é beeem Ciro), todos os sistemas tendem a um estado de maior entropia, maior desorganização. Um dia, se as leis da física se mantiverem até lá, o Universo será uma sopa homogênea de partículas elementares. No stars, no planets, no nothing. Se olharmos de muito perto ou de muito longe (no interior de átomos e nas vastas distâncias intergalácticas), já vemos que mesmo hoje a tendência à simplificação e à diluição é muito forte.

Entretanto, para nossa sorte, alguns sistemas ainda conseguem localmente reduzir a entropia --tornarem-se mais complexos, em vez de mais simples. São esses fenômenos locais que permitem o surgimento de estrelas, planetas e pessoas. Em certa medida, os organismos vivos são o topo da escala no sentido de combater a entropia. Nossos corpos estão a todo momento contrabalançando os efeitos entrópicos, replicando células para substituir as degeneradas, continuamente produzindo energia a partir de oxigênio para manter o sistema funcionando, extraindo recursos externos (da atmosfera, de alimentos etc.). Então, estamos, mesmo sem fazer nada, combatendo as tendências naturais. Não é surpreendente que, ao emergir a consciência (que por si só é uma enorme violação do princípio entrópico), ela tente criar meios de contornar a amoralidade natural.

Então, eu não posso adotar a amoralidade natural porque não faz parte da minha natureza, enquanto criatura que está em constante embate contra a entropia.

A essa altura, espero ter feito algum sentido. :-P



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